Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

Eles cinco irão agora para o Céu. Tuas Missas serviram para eles. Todos usavam o escapulário..

 

Não. As almas não podem falar.

Quando chegarem ao Céu, poderão ter conhecimento de tudo, pela intuição divina. Esta é justamente uma das grandes formas da felicidade, na bem-aventurança.

 

E, enquanto falava, o anjo que me conduzia não parava um instante. Parecia apressado, assim como quem dispunha de tempo marcado para cumprir uma missão.

 

Levou-me até ao abismo do Purgatório, estacando, de repente, diante de uma alma. Apontou-me uma jovem de 12 anos, mais ou menos, sentada na ponta de uma labareda. A pobrezinha oscilava aos movimentos incertos da chama vermelha e tinha um ar triste de quem já havia perdido a esperança... Olhei-a, conheci quem era.

 

Lembrei-me dos seus últimos momentos que foram na Terra assistidos por mim. Quando me viu, levantou-se, abriu a boca, num esforço para falar, para gritar, sem poder. Depois, tentou um sorriso estérico, numa feia contorção da boca.

 

Chamei pelo seu nome: Marisa!

 

Mas ela apenas continuou me fitando, enquanto voltava a sentar-se no seu assento de fogo, a um simples gesto do anjo que me seguia.

 

 Agora, apontava ele para cinco meninos, um dos quais eu conheci também. Havia morrido há muitos anos de anemia perniciosa e me custou acreditar que ainda estivesse no Purgatório, pois eu havia já celebrado várias Missas por ele.

 

Sim, é verdade! disse o anjo. Eles cinco irão agora para o Céu. Tuas Missas serviram para eles, embora tivessem sido celebradas por um só. Mas Deus contribuiu os méritos do sacrifício infinito por eles cinco, para que se salvassem no mesmo dia. Todos usavam o escapulário.

 

E aquela menina? perguntei.

 

Aquela menina disse o anjo que na Terra se chamava Marisa, não sairá hoje porque tem de purificar-se ainda de umas pequenas faltas que cometeu na vida. Passará mais uma semana no Purgatório.

 

Olhei para Marisa. E senti toda a angústia de seu espírito. Ao escutar sua sentença, estremeceu, de leve, e, fazendo que não ligava muita importância às dores de suas queimaduras, aprumou-se melhor na ponta da labareda que a envolvia de instante a instante, mergulhando-a naquele mar rubro de imenso fogo.

 

Voltei-me para o anjo e perguntei:

Que fez ela?

 

Respondeu o querubim:

Na Terra, batia o pé para a mãe, respondia-lhe com maus modos, fugia de casa e juntou-se com uma colega que foi a causa de sua perdição. Adoeceu de uma forte gripe que apanhou na praia, quando para lá se dirigia, escondida dos pais, com esta tal colega, vindo a falecer de pneumonia dupla.

 

Na Policlínica, não é verdade?

 

Exatamente! Foste tu que lhe perdoaste os pecados, mas agora tem de purificar-se das penas... Deus a chamou, apesar dos seus poucos anos, antes que caísse em faltas maiores e se condenasse eternamente.

 

Baixei a cabeça e caminhei em direção ao portão de saída. Atrás de mim vinha o anjo com as cinco crianças bem-aventuradas. E, enquanto atingíamos o portão flamejante, pensava em inúmeras outras crianças lá da Terra, que eu tanto conhecia, pensava em outras pessoas que estavam em grave perigo de condenação, por não ligarem aos conselhos dos pais, nem procurarem arrepender-se de seus pecados ou corrigir-se de suas faltas. E, ao me despedir do mensageiro celeste, perguntei-lhe:

 

Será que ainda me vens buscar para outra visita ao Purgatório?

E ele, batendo as longas asas para o Céu, abraçando os novos filhos de Nossa Senhora, exclamou:

 

Não! Agora, não te virei mais buscar para o Purgatório. Levar-te-ei ao Céu, da próxima vez!

 

Quando acordei, já eram cinco horas da manhã, hora de levantar-me, imediatamente. Os clarões da aurora tingiam de rubro o horizonte ao longe, através da minha janela aberta. E, enquanto rezava a oração da manhã, não saía do pensamento a lembrança de Marisa... No Purgatório ainda, por causa de sua desobediência!

 

E saí para celebrar a Santa Missa por aquela infortunada criança, ao mesmo tempo que pensava:

 

Quantas Marisas, por aí afora, não haverão de sofrer tanto e tanto no Purgatório!...

 

publicado por emtudoavontadedeus às 16:50
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