Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

Gestos e doutrina.A missão de um Papa é governar a Igreja e os gestos são uma parte, só uma parte, dessa missão.

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Gestos e doutrina

Pe. Santiago Martin- 18 abril 2013- religionenlibertad.com

A maioria das pessoas ficam muito impressionadas porque o Papa usa seus sapatos de sempre no lugar de usar os mocassinos vermelhos, que são, por outro lado, símbolo da disposição de derramar o sangue por Cristo. Para eles, é mais importante que viva em Santa Marta no lugar do apartamento pontifício que qualquer outra coisa, ou que use um anel de prata em lugar de um de ouro.

Mas a missão de um Papa não é só a de emitir determinados gestos que o aproximem da sensibilidade popular, tão castigada pelas derrotas e corrupções dos poderosos -os que eles votam democraticamente, por certo-. A missão de um Papa é governar a Igreja e os gestos são uma parte, só uma parte, dessa missão.

Por isso, o que fez o Papa Francisco esta semana tem uma importância extraordinária, ainda que para a maioria -repito- passe despercebido. Refiro-me ao discurso dirigido à Pontifícia Comissão Bíblica, em que reiterou o ensinamento da Igreja sobre a interpretação da Sagrada Escritura.

A Palavra de Deus, fundamento de todo nosso ensinamento, não se deu no ar ou aos anjos, mas em uma comunidade de crentes e para os homens, para os membros dessa comunidade.

É essa comunidade que acolhe a mensagem revelada e que a interpreta corretamente. E, portanto, só sendo fiel ao que essa mesma comunidade interpretou durante os séculos -a chamada Tradição- e ao que ensinam seus representantes, em especial o máximo da Bíblia. Não se pode interpretar, pois, corretamente a Escritura à margem da comunidade, da história e do Magistério.

A questão é tão importante que isso, em essência, foi o que levou Lutero a se separar da Igreja e é o que faz ainda hoje muitos sacerdotes católicos a ensinar uma doutrina moral ou dogmática diferente a da Igreja. Além disso, o Papa o proclamou abertamente muito pouco tempo depois de ter recebido o líder dos luteranos alemães, na data do quinto centenário de Lutero, de uma importância ainda maior.

Podemos estar absolutamente tranquilos - se por acaso a alguém ficava alguma dúvida-.
O Papa Francisco sabe o que faz e o que diz. Seus gestos servem para que muitos católicos se sintam mais próximos ao vigário de Cristo e isso é muito bom.
Porém verdadeiramente importante, seu ensinamento, é tão fiel e firme como os que emitiram João Paulo II e Bento XVI. Não podia ser de outra maneira.

http://www.magnificat.tv/es/node/3379/2
Santiago Martín, consultas@frmaria.org, é autor, editor e responsável pelo Blog Palavras para viver, alojado no espaço da web: www.religionenlibertad.com


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Quinta-feira, 18 de Abril de 2013

Ana, «garota difícil» e sem Deus, queria «dar algo à Humanidade e suicidar-me»... hoje é religiosa.

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Uma adolescente firme que mudou sua vida

Ana, «garota difícil» e sem Deus, queria «dar algo à Humanidade e suicidar-me»... hoje é religiosa. Quando se converteu e começou ir à missa diariamente, sua família não praticante se assustou como se estivesse em uma seita e tratava de impedir.

P. J. G. / ReL- 10 abril 2013- religionenlibertad.com

Nos seus 25 anos, a Irmã Ana Maria da Penha viveu já todo um itinerário espiritual complexo: uma infância com fé mas pouca prática, unma adolescência de ateísmo e amargura e uma juventude adulta na alegria do amor de Deus.

Família de católicos ocasionais
Ana cresceu em uma família em Cuenca, de católicos de "casamentos, comunhões e funerais", dos que "levam seus filhos para a catequese para que recebam os Sacramentos e já está bom".

Na catequese de Primeira Comunhão a preparou um sacerdote que era "muito, muito bom", tinha a todos as crianças no bolso. E a boa recordação que tenho das coisas de Deus de quando era pequena é graças a ele. Sempre me chamou a atenção como este sacerdote olhava Jesus no Sacrário e eu comecei a desejar querer ese Jesus que ele queria tanto".

Também teve uma professora em seu colégio público "que era uma enamorada da Virgem. Tinha uma imagem da Virgem na classe, tínhamos que rezar todos os dias e no mês de maio levar-lhe flores, cantar a Salve Rainha em latim ... A mim essas coisas me encantavam e foi uma experiência bonita de Deus em minha infância".

Exigência de adolescente e uma má paróquia
Chegou a adolescência, com suas exigências de radicalidade. Como em tantas famílias espanholas, Ana, que não ia à missa dominical, quis fazer a catequese de confirmação "porque toca".

"A paróquia que fui digamos, era muito incoerente. Eu sempre fui uma pessoa muito radical para tudo, eu gosto que o branco seja branco e o negro seja negro, e quando não há coerência, me repele. Então me zanguei com a Igreja. Eu via que o que me diziam e o que eles viviam nesse lugar não coincidia".

"Fora isso, como era uma adolescente, comecei a viver uma série de coisas que não são mais tão inocentes, e a consciência me remordia. Existem coisas que dá muita vergonha confessar, e se uniu a incoerência que eu via, com minha consciência que me dizia que estava vivendo mal. Algumas de minhas amigas começaram a escutar grupos de música claramente anti-católicos cujas letras eram contra a Igreja e tudo que era religioso, então eu comecei a me convencer disso, que eu escutava através da música. Eu me via bem em pensar mal da Igreja para justificar minha consciência. E como sempre fui radical para tudo me meti de cabeça . Comecei um caminho forte de rebeldia".

Ser duro em um mundo amargo
A nova Ana anti-Igreja não era em absoluto especialmente feliz e realizada. Mas bem o contrário: era uma adolescente que tinha que se mostrar dura e assumia que a vida devia ser, necessariamente, amarga.

"Eu era muito dura com meus companheiros. Tampouco é que desse pancadas, nem coisas como essas, mas digamos que não deixava que ninguém se pusesse em meu caminho. Eu me encarregava de que se alguém me fizesse algo pagasse caro. Para as pessoas eu dava uma espécie de medo minha forma de ser".

"Também nessa época, tinha muitos problemas em minha família. Tudo o que me rodeava era um pouco amargo. Até a música que escutava transmitia amargura. Logo minha visão do mundo foi essa, um lugar amargo e escuro onde todos eram maus e eu tinha que ser mais, para que ninguém me pisasse. Isso era um pouco o que tinha dentro: raiva, desespero".

Ler e estudar mas, para que?
Outros adolescentes buscavam esquecimento ou distração nas discotecas, no álcool, sair... mas para ela isso não a atraía: " parecia-me como fazer o que faz todo o mundo. Não me atraía. Não havia nada que me atraísse, nada que me desse ilusão".

A única coisa que a interessava, curiosamente, era ler e estudar. "Era como um alívio, a única coisa com a qual eu desfrutava".

Mas, estudar para que? Não queria formar uma família, não sonhava com nada.

E Ana recorda que se disse a si mesma: “bom, pois estudarei, farei alguma descoberta científica para trazer alguma ajuda à humanidade, e depois me suicido, e é isso”. Tinha 13 ou 14 anos, era uma estudante inteligente e leitora ávida... e essa era sua visão da vida.

Essa era sua situação quando um dia na aula o professor começou a explicar as diferentes teorias sobre a origem do universo.

"Não digas isso, Deus existe"... e recordou
"Não sei a troco de que, pois o professor não havia dito nada disso, tomei o tema do Criador , e pondo-me de pé comecei a criticar muito duro a Igreja. Então uma garota que tinha na classe que era crente e muito firme se levantou e me disse: ´não digas isso; não digas isso, porque Deus sim existe´."

E isso bastou para fazer pensar a Ana.

"Não disse nada mais. Não deu mais argumentos. Mas esteve três dias sem poder parar de pensar nisso. E comecei a lembrar-me de quando era pequena, e da experiência de Deus que eu tinha tido naquela época. E logo comecei perder a paz, e aquela pureza que eu tinha quando era pequena. Mas não sabia como encontrar o caminho de volta. Eu me tinha lançado de cabeça, e não sabia como voltar a me levantar".

E Ana fez algo que muitos não conseguem fazer: pedir ajuda.

"Decidi pedir ajuda, para essa companheira. Eu me aproximei dela e lhe disse, “Ouça, eu quero crer em Deus, me ajuda?” Nesse momento ela não sabia se era uma piada, se eu estava rindo dela, se havia câmeras ocultas, ou algo assim".

Monjas, gente rara que canta em latim?
Ela admitiu que não tinha muita formação e a animou a ir a umas reuniões com religiosas. Ana não conhecia nenhuma monja. "Só as conhecia de filmes, mas as imaginava como um círculo de gente vestida de negro, e cantando em latim. Porém estava desesperada por ter luz e decidi ir a essas reuniões".

"E ali estavam as Servas do Lar da Mãe. Desde o princípio me trataram como se me conhecessem por toda a vida, com muito carinho. E tudo o que eu perguntava para elas me iam explicando".

Conhecendo jovens cristãos alegres
Nesse verão participou de um acampamento de jovens do Lar da Mãe. "Eu me impressionei muitíssimo, porque eu nunca tinha conhecido jovens assim, com essa ilusão, com essa vontade de viver, com essa alegria, que estavam pendentes em todo o mundo. Eu me tinha auto-convencido de que não mais existia gente boa. E ali vi que sim, que existia gente boa. Foi como recuperar outra vez a esperança".

"Um dia, que estávamos na capela, Jesus falou em meu coração e me disse, ´Agora decide-te, ou segues por aqui, ou voltas para onde estava, mas dupla vida, não´. Então vendo que a vida que levaba antes não valia a pena, me disse: eu fico com esta que encontrei!"

Se nossa filha vai à missa, está em uma seita?
Seus pais, que como explicamos nem sequer iam à missa aos domingos, se assustaram ao ver que sua filha ia à missa diariamente! Ana já quase não via televisão, já não ia com seu anterior grupo de amigos e -sendo grande leitora-, agora passava o dia lendo livros religiosos.

"Meus pais pensaram que eu tinha me metido em uma seita. Tentaram afastar-me de tudo o que cheirasse a religioso e a partir daqui começou um filme, que foi tentar me esconder de meus pais para ir à Missa e todas essas coisas. Eu, agora os entendo, porque claro, foi uma mudança muito radical. A verdade é que agora me lembro e dou risada", admite.

Responder por quem não o faz
Logo, com 15 anos, descobriu sua vocação à vida religiosa. "Ia andando pela rua tão feliz para ir à Missa, e não ia pensando em nada de vocação, mas de repente me lembrei de uma coisa que eu fiz nesse famoso acampamento. Um dia na capela, rezando, disse ao Senhor que se Ele quisesse, que eu me ofereceria para responder por todas as almas que não o fazem. Então, não me disse nada. E depois de um tempo, quase um ano, eu ia pela rua, e me veio essa lembrança à cabeça, de quando eu estava na capela dizendo isso ao Senhor.
E experimentei que me diziam por dentro, “Pois aceito teu oferecimento”. Desde esse momento soube que tinha vocação. Fiquei esperando até os 18 para poder entrar porque evidentemente meus pais não iam dar permissão antes. E quando completei 18 anos entrei como candidata nas Servas do Lar da Mãe".

Então já se passaram uns anos. Completei os 25, Ana diz bem claro: "Estou muito agradecida ao Senhor por ter me tirado dessa escuridão em que vivia e agora tento ser um testemunho de amor apaixonado pelo Senhor e transmitir essa ilusão e essa esperança que penso que só Ele pode dar de uma forma permanente".

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Terça-feira, 9 de Abril de 2013

Bear Grylls, conhecido aventureiro de televisão confessa que a fé «é sua coluna vertebral» e a «cola de sua família». Um grave acidente e Madre Teresa lhe mudaram a vida.

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Bear Grylls dá palestras nos cursos Alpha

Um encontro com Madre Teresa de Calcutá mudou a vida de «O último sobrevivente»

O conhecido aventureiro de televisão confessa que a fé «é sua coluna vertebral» e a «cola de sua família». Um grave acidente e Madre Teresa lhe mudaram a vida.

Javier Lozano/ReL-29 novembro 2012-religionenlibertad.com

Bear Grylls é um sobrevivente. Conhecido em todo o mundo por seus vitoriosos programas de televisão nos quais sobreviveu em duras experiências no deserto, na selva ou no Ártico, este britânico reconhece que não seria nada sem sua fé. De fato, seu exemplo a seguir é o de outra aventureira, mas muito diferente dele: Madre Teresa de Calcutá.

Conhecido por ser o protagonista de ‘O último sobrevivente” em canais como Discovery Channel ou Quatro, anteriormente foi membro das forças especiais do Reino Unido e é uma das pessoas mais jovens que conseguiu escalar o Everest. No entanto, longe de se vangloriar por todos seus êxitos, Grylls disse apostar nas coisas mais simples: “minha fé, minha família, minhas crianças”.

“A fé foi uma força silenciosa em minhas aventuras”
Este aventureiro, que quebrou as costas em um salto de paraquedas, assegura que suas experiências na natureza e no Exército lhe demonstraram que um homem orgulhoso nunca dirá que necessita de ajuda mas “eu não tenho mais medo de admitir que eu necessito de ajuda”. É por isso que afirma que “minha fé cristã tem sido uma grande força silenciosa e uma sólida coluna vertebral através destas aventuras”.

Apesar de ter sempre acreditado em Deus, Bear Grylls tem sempre muito presente um acontecimento que realmente mudou sua vida e sua percepção das coisas. Acostumado a ver tudo que tem de mais espetacular na terra percebeu que a verdadeira força está no aparentemente mais fraco.

O acontecimento que mudou sua vida
Fala da beata Teresa de Calcutá. “Quando visitei seu lugar de trabalho em Calcutá me comoveu sobremaneira ver uma senhora tão pequena que podia irradiar tanto amor em uma cidade com tantas penúrias”, assegura.

“Ela me demonstrou que o que realmente importa são as relações com as pessoas” e o que uma pessoa recebe quanto mais se doa à outra. “Sua face era a luz personificada e nenhuma quantidade de dinheiro pode comprar essa luz”, relatava à Catholic Digest Magazine.

Grylls sente uma relação muito próxima com Deus e o vê em todas as atividades que realiza por todo o mundo. “Trata-se de ser capaz de escalar as montanhas maiores do mundo junto à pessoa que as criou”.

O Anjo que apareceu na embarcação
Em suas aventuras a bordo do impossível afirma ter muitos momentos de oração. Mas há um que lembra de maneira especial. Durante uma expedição deviam atravessar em um bote inflável o Oceano Ártico. Um grande vendaval com chuva, vento, granizo, ondas gigantes veio sobre eles enquanto caíam ao seu redor grandes blocos de gelo. “Realmente deveríamos ter morrido”, admite Grylls, que conta que “durante a noite, Nige um membro da equipe e que não era crente, viu um Anjo sentado na parte dianteira da embarcação”. Apesar das terríveis condições que sofreram durante dois dias chegaram ao seu destino a salvo e dando graças pelo dom da vida. “Nige encontrou uma fé maravilhosa depois desse acontecimento”.

Este conhecido personagem televisivo não se envergonha publicamente de sua fé, mas ao contrário, sempre que pode a define como sua “coluna vertebral”. “Quando era criança nunca questionei Deus. Eu só sabia que Deus existia e que era meu amigo”. No entanto, reconhece que nem sempre foi tão fácil crer como quando era criança.

Seguidor dos cursos Alpha
“Recordo ter tido um momento em que alguns bons amigos me deram as costas de uma maneira muito desagradável”, conta. Só restou uma solução: certa noite rezou e disse a Deus, “se és como eu te conhecia em criança, serias de novo esse amigo?" Não foi mais complicado que issso. Na realidade, o mais surpreendente é que tudo o que Deus nos pede é que lhe abramos a porta e Ele fará o resto”.

Apesar desta aparente fé infantil, Bear Grylls não deixou de buscar resposta para suas perguntas e de tentar ter uma fé madura. Por isso, é um grande partidário dos cursos Alpha, palestras de dez semanas de duração nas quais se aprofunda em diferentes aspectos da fé e que têm milhões de seguidores por todo o mundo. Nestes cursos se respondem perguntas tais como qual é o papel da Igreja, como nos guia Deus ou porque e como rezar, entre outras..

Em sua experiência este intrépido aventureiro confessa que “viu como o Alpha tocou a muitas pessoas” e “viu muitas pessoas encontrar uma fé simples através deles e quero recomendá-los porque me ajudou um montão”.

“Só Deus nos ama”
Pensa que, “às vezes é difícil crer, realmente crer, que Deus se preocupa e quer coisas boas para nós (…) que na realidade Ele só nos ama e que só quer que estejamos com Ele”.

Por que as pessoas se afastam da fé? As pessoas buscam a felicidade mas não sabem aonde. “Ainda não conheci ninguém que não queira ser perdoado ou encontrar a paz e a alegria em sua vida. Tentam um montão de coisas e pensam que as mulheres ou o álcool ou o que seja os vai preencher, mas não os preenche” porque só Deus dá essa plenitude na vida.

"A cola que nos mantém unidos"
Esta fé que tanto o ajudou em seu trabalho também tem feito sua família. Bear é casado e tem três filhos. Assegura que a fé “é a cola que nos mantém unidos através de muitas lutas que a vida nos lança”. “A fé nos sustenta”, afirma com sinceridade. “Estamos casados há mais de dez anos e olhando para trás penso que seria muito difícil que estivéssemos juntos se não fosse pela fé”.

É por isto que fala que “nós dois perdemos nossos pais quando nos casamos e nos apoiamos em nossa fé que nos uniu mais. Rezamos com nossos filhos e eles oram por nós e é um grande vínculo que nos une”. “Encanta-me minha família, minha fé, minhas crianças”, disse orgulhoso este aventureiro de nascimento.


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Quarta-feira, 3 de Abril de 2013

Francisco e Bento XVI: um encontro histórico.

ReligionenLibertad.com

Francisco e Bento XVI: um encontro histórico

O Papa emérito fez compreender que esta proximidade física do sepulcro de Pedro é um sinal de que certamente não deixa a Igreja, que continua trabalhando para ela

Vittorio Messori- 23 março 2013-religionenlibertad.com

Nestas semanas houve um grande uso (e às vezes abuso) dos adjetivos “histórico” e “memorável”.

Mas o evento de hoje merece um pouco de ênfase: o encontro – e em um clima que será certamente de grande fraternidade – entre o Papa reinante e o emérito é totalmente inédito.

Como tem sido repetido várias vezes nestes tempos, não tem faltado exemplos antigos de “renúncia papal”, mas em séculos turbulentos, com episódios que ficaram marcados na luta entre papas e antipapas.

O único precedente assimilável que começou em 11 de fevereiro passado é o de Celestino V. O qual certamente não teve abraços com seu sucessor: com efeito, Bonifácio VIII se preocupou em neutralizar o renunciante, temendo que revogasse sua abdicação.

O resultado final – depois de fugas por terra e por mar – foi que o ex-Papa Pietro da Morrone terminou seus dias, aos 86 anos, em uma cela, não de um monastário mas de uma fortaleza onde estava preso.

Nada a ver, então, com o encontro previsto para hoje em Castel Gandolfo. Provavelmente não saberemos nada salvo, quem sabe quando, pelos diários póstumos de Joseph Ratzinger ou de Jorge Mário Bergoglio.

E no entanto, assistir a esta encontro sem precedentes estaria entre os desejos mais vivos não só de todo cronista mas também de todo historiador da Igreja.

O arcebispo de Buenos Aires foi elevado a cardeal no Consistório de 2001, portanto por João Paulo II.

Porém é certo que, sobre sua eleição, pesou a indicação do então Prefeito para a Doutrina da Fé: Ratzinger apreciou muito que Bergoglio esteve entre os poucos jesuítas sul americanos que não aprovaram as perspectivas dos teólogos da libertação.

O encontro atual, portanto, não será entre um “conservador” e um “progressista” – como quer a simplista leitura ideológica – mas entre dois servidores da Igreja, conscientes de que há diferença entre caridade cristã e luta de classes, entre homilia religiosa e manifesto político, entre sacerdote de Cristo e guerrilheiro.

Não será tampouco um encontro entre um “jovem” e um “ancião”: Bergoglio tem quase a mesma idade de seu precedessor quando foi eleito.

Conhecendo a delicadeza do homem Ratzinger, tem que crer que se absterá de conselhos, limitando-se em todo caso a chamar a atenção sobre questões que ficaram sem resolver.

Fala-se de uma sorte de pró-memória reservada, preparada por Bento XVI para quem, depois dele, levaria a pesada carga de Pedro. Pode dar-se, mas é de supor que, inclusive neste caso, a intenção foi informativa e não, como dizer, pedagógica, como se o novo Pontífice tivesse necessidade de ser guiado.

O Papa agora emérito disse com clareza, antes de sua despedida: sua intenção era “desaparecer da vista do mundo”, continuar servindo a Igreja com a oração e não com uma, se bem discreta, colaboração no governo da Igreja.

Certamente, ainda fica a pergunta que muitos se fazem: permanecer no “recinto vaticano” não torna mais difícil este propósito de ocultamento?

Devo dizer que, mesmo não esperando, ao menos por agora, a decisão da “renúncia”, várias vezes tinha refletido sobre qual poderia ser o refúgio de um eventual Bento XVI obrigado pela idade e pelo peso dos problemas ao deixar seu serviço.

Instintivamente pensava, em primeiro lugar, em um retorno à sua Baviera, onde – em lugares magníficos, sempre com bosques rodeados de altas montanhas – sobrevivem abadias ainda habitadas por monges beneditinos. Mas a idade e a frágil saúde do homem não aconselhavam um severo clima alpino.

O sul da Itália, então? Pensava na Calábria, na Cartuxa de Serra São Bruno, onde também jaz o corpo venerado do mesmo fundador da Ordem, São Bruno. Bento XVI foi em peregrinação à esse lugar sagrado.

Mas na Cartuxa não é o lugar indicado para um ancião necessitado – sobretudo, numa perspectiva futura – de assistência constante. Os monges vivem isolados, em uma pequena casa que, por uma parte, dá ao grande claustro, e por outra, ao huerto-jardim que cultivam eles mesmos. A pequena enfermaria não pode certamente alcançar.

Se me tivessem pedido que indicasse um lugar para o possível ocultamento do Papa emérito, não teria duvidado em apontar à Provença, departamento de Vauclusa, aos pés do Monte Ventoux: para ser exatos, à localidade chamada Le Barroux. Aqui não só a temperatura é ideal e a paisagem encantadora mas que também, desde 1970, surgiu uma abadia de tal modo estimada por Joseph Ratzinger que, como cardeal, com frequência passava alguns dias, ou seja incógnito ou de visita oficial.

Com efeito, o fundador, dom Gérard, não aceitando que também os beneditinos, depois do Concílio, tivessem que abandonar o latim para a liturgia, tinha deixado seu monastério para criar um que continuasse a Tradição e retornasse ao severo respeito pela Regra.

Aqui o canto Gregoriano é executado com tal perfeição que as gravações em CD são apreciadas em todo o mundo e são muitos os jovens que se somam como noviços, atraídos pela austeridade da vida.

Tendo eu também frequentado esse lugar de extraordinária fascinação, soube pelos Superiores que, primeiro o cardeal e depois também o Papa, confirmaram que aquele poderia ser o lugar para seu refúgio final.

E, em troca, eis aqui um provisório Castel Gandolfo e , talvez definitivos, jardins do Vaticano.

O Papa emérito fez compreender que esta proximidade física ao sepulcro de Pedro é um sinal de que certamente não deixa a Igreja, que continua trabalhando para ela com o serviço da oração.

Problemas de convivência, fez também entender, não existirão, dada sua vida retirada. O problema parece segundário mas não é, como bem sabe quem conhece o ambiente eclesial, com suas particularidades.

É claro que, por parte do Papa Francisco, haverá total acolhida, qualquer que seja a escolh de seu predecessor, mas é provável que no encontro privadíssimo de hoje se falará também deste aspecto inédito em uma Igreja que, em dois milênios, acreditava ter experimentado tudo.

Tudo, mas não no singular “condomínio”, nos escassos quilômetros quadrados da Cidade do Vaticano, de um Pontífice emérito e de um reinante.

(Trad. del italiano: La Buhardilla de Jerónimo)

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